Zona de Sacrifício: do Ouro ao Pó é um projeto autoral de longa duração da fotógrafa Isis Medeiros sobre o Vale do Jequitinhonha, fomentado pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (17ª edição).
O projeto se desdobra em fotografia documental, audiovisual, pesquisa, escuta de territórios e uma exposição itinerante — atualmente em cartaz em Araçuaí (MG) e em itinerância para o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), Rio de Janeiro (RJ).
TerritórioO Vale do Jequitinhonha conhece bem os ciclos da promessa. Vieram o ouro e os diamantes, o algodão para exportação, os monocultivos, o eucalipto e a mineração. Hoje, o território volta a ocupar posição estratégica no cenário global com a expansão da exploração de lítio.
Mas o Vale é muito mais do que suas riquezas subterrâneas. Este território é casa de povos indígenas, comunidades quilombolas e povos tradicionais que, há séculos, constroem formas próprias de viver, produzir e cuidar da terra.
Transição energéticaConsiderado mineral fundamental para a chamada transição energética, o lítio é utilizado em baterias de carros elétricos, celulares, sistemas de armazenamento de energia e até armamentos.
O Brasil ocupa o 5º lugar mundial em reservas de lítio, e cerca de 85% delas estão concentradas no Vale do Jequitinhonha — uma das principais fronteiras dessa nova economia mineral.
MemóriaO projeto nasce da convivência, da escuta e da observação atenta do território. As imagens registram paisagens, pessoas e memórias atravessadas por mais um ciclo de exploração.
Lembrar, aqui, é também um ato político. Preservar histórias, saberes e modos de vida é afirmar identidades e confrontar estruturas que historicamente tentaram apagá-las.
Este projeto fala de memória, território e resistência.































































